Políticas fiscal e monetária mais alinhadas

 

Natalia Pacheco, Jornal do Brasil

 

RIO DE JANEIRO – O livro Política monetária, bancos centrais e metas de inflação: teoria e experiência brasileira, que será lançado em maio deste ano pela editora da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro também levanta a questão da coordenação entre as políticas fiscal e monetária.

O professor de Economia da Universidade de Brasília e um dos organizadores da obra, José Luiz Oreiro – junto com os economistas Luiz Fernando de Paula da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Rogério Sobreira da FGV-RJ –, acredita que o ajuste entre as duas políticas reduziria o custo da dívida por parte do Tesouro.

A principal forma de ligar as duas políticas seria a eliminação de títulos pós-fixados (cuja remuneração é atrelada à Selic) como as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), criadas em 1980. Indexadas aos juros, as LFTs elevam a dívida pública a cada aumento da Selic.

– Na maioria dos países, as LFTs são pré-fixadas e por isso não há impacto na política monetária – ressaltou o professor.

Para solucionar o problema, Oreiro propõe a extinção das letras de uma só vez e não de forma progressiva, como já sinalizou o governo. Na verdade, aconteceria uma operação de swap, ou seja, com a substituição das letras pós-fixadas para títulos pré-fixados.

– O ideal é transformar esses títulos em pré-fixados e não pós. O que acontece, atualmente, é que quando há aumento dos juros, as pessoas querem comprar as letras e não os títulos pré-fixados – lembrou Oreiro.

Só que a mudança para aumentar a coordenação entre as políticas fiscal e monetária depende da flexibilização do regime de metas de inflação. Além de dificultar a vinculação das duas políticas, a rigidez das metas aumenta a volatilidade da taxa de juros nos períodos de choques de oferta e de demanda. Também contribui para manter elevado o nível médio da Selic. (N.P.)

20:39 – 21/03/2009


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