Seminário do programa de pós-graduação em economia
09 domingo dez 2012
Publicado em Seminários acadêmicos de economia
09 domingo dez 2012
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02 sexta-feira nov 2012
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Vejam em UFF-Macro-25anos
29 sábado set 2012
Publicado em Seminários acadêmicos de economia
Realização: PPGE/Universidade Federal Fluminense
Local: Faculdade de Economia da UFF, Rua Tiradestes n.17, Ingá Niteroi/RJ.
Link: http://www.ppge.uff.br/
Organizadores: Jorge Brito e Ana Urraca-Ruiz
Coordenadora das Jornadas: Danielle Carusi Machado
PROGRAMA
1º dia: 3 de Outubro
9:30-10:00 – Abertura
10:00-12:00 – 1ª Mesa: A macroeconomia da “desindustrialização”
1) Abordagem pós-Keynesiana, Carmen Feijó(UFF)
2) Doença Holandesa e Re-primarização da pauta (Câmbio), José Oreiro(UNB)
3) Condicionantes macroeconômicos do desenvolvimento industrial, (Luiz Fernando de Paula, UERJ)
Coordenação e Comentários: André Nassif (BNDES/UFF)
12:00 – 14:00 – Almoço
14:00 – 16:00 – 2ª Mesa: Desindustrialização ou mudança estrutural?
1) A efetividade do processo desindustrialização, Fernando Sarti, (IE/UNICAMP).
2) Medindo a mudança estrutural, Frederico Rocha(IE/UFRJ)
3) A questão tecnológica: existe dinamismo para qualquer atividade produtiva? Michele Melo, (UFF-Campos dos Goytacazes).
Coordenação eComentários: Ana UrracaRuiz (UFF)
2º dia: 4 de Outubro
10:00 – 12:00–3ª Mesa: Potencial de especialização e efeitos encadeamento: perspectivas para a indústria brasileira
1) Encadeamento produtivo em setores de baixo conteúdo tecnológico,(Rogerio Gomes, UNESP-Araraquara).
2) Padrões históricos de industrialização baseada naexploração de recursos naturais. Thiago Periard de Amaral (Petrobrás/UFF)e Luciano Losekann (UFF).
3) O potencial dos efeitos encadeamentos e tecnológicos em industrias intensivas em recursos naturais, (André Furtado, UNICAMP).
Coordenação eComentários: Marcelo Colomer(UFF)
12:00 – 14:00– Almoço
14:00 – 16:00 – 4ª Mesa:Industrialização e política industrial
1) O papel das agências internacionais de fomento na política industrial, (José Miranda, IE-UFRJ).
2) A visão das entidades empresariais: alcance e eficácia da política industrial. (Flavio Castelo Branco, CNI)
3)Medidas de política industrial voltadas para industrialização,(David Kupfer, IE-UFRJ/BNDES).
4) Financiamento da política industrial, (João de Negri, FINEP).
Coordenação eComentários: Jorge Brito (UFF)
16:00 – Encerramento da Jornada
25 terça-feira set 2012
21 sexta-feira set 2012
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20 quinta-feira set 2012
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Forum de Economia de São Paulo, Política macroeconômica do governo Dilma Rouseff, taxa de câmbio
O modelo de política macroeconômica “mudou radicalmente” com as novas medidas tomadas pelo governo para aumentar a competitividade da indústria nacional, avalia Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas. Nakano participou ontem do 9º Fórum de Economia, promovido pela fundação.
“O problema é qual a capacidade de reação da indústria a esse conjunto novo de medidas. O industrial que se tornou importador de matérias-primas consegue voltar a ser industrial? Acho que vai demorar um tempo, mas tenho certeza que vamos conseguir”, disse Nakano, para quem as iniciativas do governo favorecem a retomada do crescimento econômico.
“Agora, todo mundo está descobrindo que sem indústria não vamos a lugar nenhum. Vamos para a Grécia, não para a Alemanha”, afirmou o economista, usando como exemplo a diferença entre a política industrial dos dois países europeus. Para Nakano, a mudança na direção da política econômica do governo foi motivada por questões pragmáticas, e não ideológicas, tendo como principal pano de fundo a crise mundial.
O professor José Luís Oreiro, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília, se concentrou no problema cambial. “O câmbio é livre só nos discursos, mas sabemos que o Banco Central tem uma faixa de administração entre R$ 2 e R$ 2,10″, disse ele, rebatendo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que, mais cedo, havia dito que o regime de câmbio no país é flutuante, mas o governo atua para evitar movimentos excessivos.
A mais importante mudança na política econômica do governo foi a redução da taxa básica de juros pelo BC, na avaliação do professor emérito da FGV Luiz Carlos Bresser-Pereira. A queda de cinco pontos percentuais da Selic desde agosto do ano passado, quando estava em 12,5% ao ano, foi um dos fatores que permitiram a melhora da taxa de câmbio, hoje em R$ 2 por dólar. Para o ex-ministro da Fazenda, o câmbio continua fortemente apreciado, mas deixou o terreno “absurdo” que estava, quando encostou em R$ 1,50.
Bresser-Pereira citou estudo do economista Nelson Marconi, da FGV, em parceria com Eliane Araújo, que estima que a taxa de câmbio de equilíbrio para o setor industrial – necessária para que a indústria seja competitiva, adotando tecnologia compatível com o nível mundial – esteja hoje próxima de R$ 2,70. Para Oreiro, a taxa de câmbio de equilíbrio para o Brasil seria hoje de R$ 2,66.
17 segunda-feira set 2012
Publicado em Mídia, Seminários acadêmicos de economia
SÃO PAULO - “O câmbio é livre só nos discursos, mas sabemos que o Banco Central tem uma faixa de administração entre R$ 2 e R$ 2,10”, avaliou nesta segunda-feira José Luís Oreiro, professor do departamento de economia da Universidade de Brasília. Oreiro participou do Nono Fórum de Economia, organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo. Mais cedo, no mesmo evento, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que o regime de câmbio no país é flutuante, mas que o governo atua para evitar apreciação ou depreciação excessivas.
Em sua palestra, Oreiro apresentou um modelo de estimativa para a taxa de câmbio “ótima” para o país. Se no terceiro trimestre de 2010 essa cotação estava em R$ 2,10 – quando a taxa efetiva era de R$ 1,55 – hoje a taxa de câmbio de equilíbrio para a economia brasileira, segundo seus cálculos, seria de R$ 2,66.
Para chegar a essa taxa o professor julga ser necessário um regime de câmbio administrado, seja ele implícito ou explícito. “O governo já esta criando coragem, já temos legislação de IOF bastante interessante para controlar o câmbio e a política de acumulação de reservas já age nesse sentido”.
Segundo Oreiro, “não há nenhuma dúvida” de que se o Banco Central determinasse oficialmente um piso e um teto para a taxa de câmbio o mercado seguiria as novas regras, porque “quando o objetivo é desvalorizar a munição do BC é infinita”.
Os efeitos inflacionários da uma depreciação cambial, na avaliação de Oreiro, “são balela”. “O pass through é muito pequeno, em torno de 10%”, estimou. “O efeito inflacionário só existe se a desvalorização for muito grande e rápida, mas se houver uma depreciação pequena e gradual, adotando a desindexação da economia brasileira, acho que conseguimos reduzir o impacto inflacionário.”
13 quinta-feira set 2012
Publicado em Seminários acadêmicos de economia
O Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas visa ser um fórum permanente de debate dos grandes problemas econômicos nacionais. É uma iniciativa da Escola de Economia de São Paulo da FGV, e conta com a parceria da FIESP, da CUT, da Força Sindical, do IEDI, e a partir de 2007, a CNI, cinco organizações comprometidas com o setor real da economia.
O Fórum, fiel a uma tradição da Fundação Getulio Vargas desde a sua fundação em 1944, terá como objetivo mais geral contribuir para a definição de uma política nacional de desenvolvimento do país. Para isso concentrará sua atenção em algumas áreas preferenciais, como estabilidade macroeconômica, política de investimento e geração de emprego, política fiscal e restabelecimento da poupança pública, economia internacional e seus reflexos sobre o país, política comercial, tecnológica, e industrial, política de distribuição de renda.
O Fórum começará sempre com a análise do quadro político e institucional do país. Na medida em que o desenvolvimento é sempre o resultado de uma estratégia nacional, é preciso analisar e debater permanentemente o quadro político estrutural do país: as restrições e as oportunidades que se abrem a nível internacional, os interesses e valores dos diversos grupos sociais que participam do jogo político nacional, as reformas institucionais necessárias e suas dificuldades.
O Fórum buscará sempre contar com a participação de representantes do governo, empresários, líderes sindicais, políticos, técnicos, e jornalistas. Os painéis contarão com apresentadores e debatedores previamente designados, e contará com a participação de convidados provenientes principalmente dessas categorias que sejam formadores de opinião.
O Fórum não será aberto ao grande público para participação nos debates, mas todos os debates serão públicos e transparentes. Para isto, buscará ter ampla cobertura de mídia, que poderá inclusive transmiti-lo em tempo real, e a maior presença possível nesta página da Internet.
O Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas realizar-se-á anualmente, no mês de setembro, em São Paulo. Não terá conclusões, mas os papers e a transcrição editada e resumida dos debates, além de editados nesta página, serão publicados na forma de livros, preferivelmente pela Editora da Fundação Getulio Vargas.
Coordenação: Luiz Carlos Bresser-Pereira
Programação do forum de 2012 pode ser vista Programa Forum Econ FGV 2012-09-03
Meu artigo no forum pode ser visualizado aqui forum 2012 oreiro
25 sábado ago 2012
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O cenário global deverá continuar hostil à economia brasileira nos próximos trimestres, por causa das perspectivas pouco animadoras para Europa, China e EUA, adverte o americano Jan Kregel, do Levy Economics Institute (uma organização de pesquisa em políticas públicas) e ex-consultor-sênior da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Segundo ele, a zona do euro seguirá mal das pernas por um longo período, prejudicando a China, que tem hoje na Europa o seu principal mercado exportador. Uma economia chinesa com menor fôlego afeta o Brasil – um grande vendedor de commodities para a China – economias asiáticas como o Japão e a própria Europa, pois a Alemanha tem nos chineses um grande cliente, nota Kregel.
“É uma cadeia cumulativa de eventos. A crise europeia se espalha pelo mundo e depois volta para a Europa”, afirma ele, observando que, para completar o quadro, há um risco considerável de os EUA não conseguirem evitar no ano que vem o chamado abismo fiscal – a combinação de elevados cortes de gastos e fim da redução de impostos, que pode ter um impacto de 3% a 4% do PIB em 2013.
Esse cenário um tanto sombrio é obviamente desfavorável para os preços de commodities, que têm grande peso na pauta de exportações do Brasil, diz Kregel, um dos principais convidados do 5º Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira (AKB), que começou na quarta-feira e se encerra hoje, na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo. Os termos de troca (relação entre preços de exportação e de importação), que tanto melhoraram nos últimos anos, têm uma perspectiva bem menos positiva.
Kregel não vê como provável uma ruptura na zona do euro, mas tampouco acredita que os líderes europeus encontrarão mecanismos para retomar um crescimento mais acelerado. Para isso, acredita ele, seria fundamental repensar a estratégia baseada na austeridade, que não tem dado certo. A ênfase excessiva em medidas de austeridade fiscal tem derrubado a atividade econômica, afetando as receitas e, com isso, não contribuindo para uma melhora das contas públicas – pelo contrário.
O mais provável, para Kregel, é que os líderes europeus continuem a empurrar a situação com a barriga, levando a zona do euro a um longo período de baixo crescimento. Seria importante, por exemplo, que o Banco Europeu de Investimento (BEI) investisse nos países em apuros, como a Grécia. Se a Europa não sair do buraco, a China pode seguir em desaceleração, adverte. A prévia de agosto do Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) da Markit Economics mostrou um cenário ruim para a indústria, ao ficar em 47,8 pontos, inferior aos 49,3 pontos de julho – abaixo de 50, o indicador aponta contração da atividade.
Kregel tampouco é otimista em relação à economia americana. Para ele, há uma possibilidade significativa de que os democratas e republicanos não cheguem a um acordo para evitar a concretização do abismo fiscal. Se a redução acentuada de gastos e o aumento abrupto de impostos se materializar, a economia americana pode encolher em 2013, diz Kregel. Segundo ele, a incerteza quanto ao que vai ocorrer no ano que vem tem afetado a confiança dos empresários, que seguram planos de investimento.
Com um quadro externo tão adverso, os países podem tentar desvalorizar suas moedas, para impulsionar a economia por meio de exportações, e adotar medidas protecionistas. Nesse ambiente, diz Kregel, o Brasil corre o risco de ver um aumento do fluxo de capitais, uma vez que os juros brasileiros continuam bem acima dos vigentes nos países desenvolvidos, mesmo com a forte queda da Selic ocorrida desde agosto de 2011.
Se a recuperação econômica esboçada em junho e julho de fato ganhar corpo, apesar do cenário externo difícil, será mais um motivo para o Brasil atrair capitais estrangeiros, num momento em que o real não está mais tão valorizado como há alguns meses, diz Kregel, também da Universidade do Missouri (EUA). Ele acredita que o Brasil deve reforçar antecipadamente os controles de capitais já existentes, para impedir uma nova onda de valorização do real.
A boa notícia em relação ao Brasil, segundo ele, é que o país tem espaço fiscal e monetário caso seja preciso estimular mais a economia. É possível e reduzir o superávit primário (a economia para pagar os juros da dívida) e cortar mais os juros se a situação ficar complicada, sem que isso provoque efeitos colaterais perigosos. Num mundo complicado como o atual, são motivos que permitem um pouco mais de otimismo em relação às perspectivas do país.
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23 quinta-feira ago 2012
Publicado em Seminários acadêmicos de economia
Entrevista de Luiz Carlos Bresser-Pereira a José Luís Oreiro para a Associação Keynesiana Brasileira, na véspera da homenagem que esta associação lhe fez em seu IV Encontro Internacional, São Paulo, 21 de agosto de 2012.
Em 1955 eu estava começando o terceiro ano de Direito na USP, e, de repente, caiu-me nas mãos os textos dos intelectuais nacionalistas do ISEB sobre a industrialização Brasileira e o pacto desenvolvimentista que Getúlio Vargas estava liderando. Decidi então que não buscaria mais ser juiz de direito; eu seria um economista ou um sociólogo do desenvolvimento. A decisão pela economia aconteceu quando, em 1962, logrei que Antonio Delfim Netto me aceitasse no programa de doutorado da Faculdade de Economia e Administração da USP.
Eu primeiro me tornei um economista estruturalista e, em seguida, também um keynesiano. Comecei a estudar a história do pensamento econômico em 1959, quando fiz o concurso para a FGV. E continuei a estuda-lo nos Estados Unidos em 1960, quando fiz meu MBA. Ao mesmo tempo que lia meus mestres, Arthur Lewis, Myrdall, eu lia Marx, Keynes, Kalecki e Schumpeter. Primeiro, dei aulas de desenvolvimento econômico, a partir de 1968, e, a partir de 1970, macroeconomia, quando criei o Departamento de Economia na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.
Meus mestres de economia brasileira foram Ignácio Rangel e Celso Furtado; meus mestres de teoria econômica geral, Marx e Keynes.
Eu sou um economista keynesiano-estruturalista. A teoria econômica está dividida em escolas, mas felizmente existe uma Teoria Econômica Básica onde estão os princípios da teoria do desenvolvimento capitalista e da teoria microeconômica clássicas e da macroeconomia keynesiana que estão de alguma forma presentes em um bom texto introdutório de Economia. Stiglitz e Krugman são antes neoclássicos; mas, como aprenderam essa Teoria Econômica Básica e são profundamente inteligentes e criativos, esquecem seus modelos hipotético-dedutivos quando analisam a realidade econômica, e podem ser considerados neokeynesianos. Um verdadeiro keynesiano deve pensar historicamente. Deve construir modelos históricos, não construir castelos matemáticos sem correspondência na realidade. Nos últimos 20 anos eu logrei elaborar uma crítica da teoria econômica neoclássica que me parece original e decisiva. Ao invés de simplesmente afirmar que os modelos neoclássicos não são realistas, eu expliquei por que eles não são nem podem ser realistas. Essas ideias estão no paper, “Os dois métodos e o núcleo duro da teoria econômica” que eu demorei 15 anos para escrever. Eu parto de uma classificação de ciências em metodológicas e substantivas, estas, por sua vez, dividindo-se em ciências naturais e ciências sociais ou históricas. As primeiras usam o método hipotético-dedutivo, porque não tem objeto empírico de estudo; elas ajudam a pensar. Já as ciências substantivas devem usar o método empírico-dedutivo ou histórico-dedutivo se forem ciências sociais como é a economia. A teoria econômica neoclássica ignorou essa distinção e, com os axiomas do homo economicus, das expectativas racionais e dos rendimentos decrescentes, tornou-se uma “ciência” hipotético-dedutiva, cujo critério de verdade não é a aderência à realidade mas uma certa coerência lógica. Ora, uma ciência substantiva que não adere à realidade é uma falsa ciência; é mero exercício lógico-matemática destituído de validade. De acordo com esta minha visão, a microeconomia marshalliana livrada da teoria subjetiva do valor juntamente com a teoria dos jogos não constituem o microfundamento da Economia mas são a base de uma ciência metodológica como é também a Econometria: a Teoria da Tomada de Decisão Econômica. Temos, assim, três ciências complementares, uma substantiva, que analisa os sistemas econômicos – a Economia ou Economia Política –, que usa o método histórico, e duas metodológicas que usam o método hipotético-dedutivo: a Teoria da Tomada de Decisão Econômica e a Econometria.
Eu sempre me considerei um desenvolvimentista de centro-esquerda. Quero uma sociedade mais desenvolvida e mais justa que caminhe na direção do socialismo no longo prazo Sempre fui, portanto, um socialdemocrata. Mais do que compatíveis, a teoria estruturalista do desenvolvimento e a macroeconomia keynesiana são teorias históricas instrumentais para que alcancemos esses objetivos – para que administremos o capitalismo mais competentemente e com mais justiça que os liberais. Atualmente estou ajudando a construir uma macroeconomia estruturalista do desenvolvimento que une a visão keynesiana e estruturalista.
Enumero três: (1) o modelo histórico de desenvolvimento, distribuição e progresso técnico com a inversão do modelo clássico de distribuição, eu está em Lucro, Acumulação e Crise (1986); (2) a teoria da inflação inercial, com Yoshiaki Nakano, que está em Inflação e Recessão (1984); e (3) a macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, que está em Globalização e Competição (2010).
Minha preocupação com o a eficiência do aparelho do Estado decorreu de haver sido nomeado Ministro da Administração Federal e Reforma do Estado (1995-98). Quando, em 1999, voltei para a vida acadêmica, voltei a dedicar-me ao desenvolvimento econômico e à macroeconomia, e as juntei não na “macroeconomia da estagnação brasileira” (esse é apenas o título de um livro meu de 2007 sobre a economia brasileira), mas na macroeconomia estruturalista do desenvolvimento.
Depois que, com o uso da teoria da inflação inercial o Brasil logrou estabilizar sua alta inflação inercial eu pensei que se desenvolveria de forma extraordinária. Por isso, fiquei decepcionado com a política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso. Nos quatro anos e meio que permaneci em seu governo manifestei sempre ao presidente meu desacordo com a política ortodoxa que estava sendo praticada baseada em altas taxas de juros e taxa de câmbio sobreapreciada. Comecei a fazer minha crítica ainda em 1999, no trabalho, “Incompetência e confidence building por trás de 20 anos de quase-estagnação da América Latina”. Quando, em 2001, meu velho companheiro de estudos e trabalhos, Yoshiaki Nakano, também se desligou do governo, convidei-o para escrever, sucessivamente, dois papers, “Uma estratégia de desenvolvimento com estabilidade” e “Crescimento econômico com poupança externa”. Em seguida eu continuei a trabalhar na crítica da poupança externa e da tese da restrição externa ao mesmo tempo que orientava duas teses de doutorado sobre a taxa de câmbio (de Paulo Gala e de Lauro Gonzales). Em seguida, escrevi um outro modelo fundamental, o da doença holandesa, no qual apareceu o conceito de equilíbrio industrial. Esses desenvolvimentos teóricos foram essenciais para que eu publicasse em 2007 “Macroeconomia da Estagnação”. Terminado o livro, desenvolvi o terceiro modelo da macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, o modelo da tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio que, em seguida, me permitiu escrever o livro teórico para mim fundamental, “Globalização e Competição”.
Depois de termos escrito os dois papers acima referidos eu fiquei convencido que começávamos a definir uma nova abordagem para o desenvolvimento econômico e a macroeconomia. Disse isso ao Nakano e perguntei que nome poderíamos dar para as novas ideias. Ele sugeriu “novo desenvolvimentismo”. Eu imediatamente aceitei e na quinta edição de meu livro Desenvolvimento e Crise no Brasil (2003)discuti o novo desenvolvimentismo no último capítulo. Só, porém, em 2006 eu teria um artigo que me satisfez sobre o tema: “O novo desenvolvimentismo e a ortodoxia convencional”.
Sempre defini o novo desenvolvimentismo como uma estratégia nacional de desenvolvimento, como a instituição fundamental para o desenvolvimento econômico; a teoria que justifica esse conjunto de políticas econômicas é a macroeconomia estruturalista do desenvolvimento. Esta macroeconomia não é uma criação apenas minha. Outros economistas têm dela participado. Agora estou escrevendo um livro que deverá se chamar Structuralist Development Macroeconomics and New Developmentalism com você, José Luiz Oreiro, e com Nelson Marconi. São ideias novas. Um conjunto de modelos novos que renovam o estruturalismo e o keynesianismo. Por isso entendo que estamos criando no Brasil uma nova escola de pensamento. Uma escola que já tem participação internacional, como pudemos ver com a aprovação das 10 Theses on New Developmentalism que foi subscrita originalmente, em 2010, por 80 economistas de todo o mundo.
Na macroeconomia estruturalista do desenvolvimento temos três modelos principais: a crítica à política de crescimento com poupança externa e à tese de que os países em desenvolvimento enfrentam uma restrição externa; o modelo da doença holandesa com duas taxas de câmbio de equilíbrio e o conceito de taxa de câmbio de equilíbrio industrial – aquela taxa que torna competitivas as empresas utilizando tecnologia no estado da arte mundial; e o modelo da tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio. Esses modelos colocam a taxa de câmbio pela primeira vez no centro da teoria do desenvolvimento. Essa é uma teoria keynesiano-estruturalista que analisa países em desenvolvimento de renda média no quadro histórico da globalização. É uma teoria que ao enfrentar problemas novos, em certos casos crítica o pensamento keynesiano e o pensamento estruturalista antigos. Por exemplo, para a macroeconomia estruturalista do desenvolvimento a crônica falta de dólares ou a “restrição externa” deriva muito mais de uma taxa de câmbio cronicamente sobreapreciada e, em consequência, de déficits em conta corrente injustificáveis, do que das elasticidade renda das importações e das exportações.
Sinto-me honrado em ser um de seus patronos. Seus dirigentes são todos amigos próximos meus. Entendo que ela já está dando uma contribuição importante para o desenvolvimento do pensamento econômico brasilleiro
Uma visão do mundo e do indivíduo, com olhar brasileiro
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