Ganhos reduzidos
| Correio Braziliense – 20/07/2012 |
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Se as reservas internacionais mantidas pelo Banco Central fossem consideradas um investimento típico de mercado, teriam sido um dos piores de 2011. Segundo documento divulgado ontem pela autoridade monetária, a rentabilidade dos US$ 352 bilhões acumulados até dezembro pela instituição foi de apenas 3,6% no ano passado — desempenho superior ao 1,82% de 2010, mas inferior ao resultado médio de 4,7% obtido de 2003 a 2011. Pelo cálculo de economistas ouvidos pelo Correio, apesar do ganho pequeno, a manutenção das reservas teriam tido um custo aproximado de US$ 21 bilhões. Com a piora da crise na Europa e a tímida recuperação norte-americana, os juros de títulos públicos dos governos dessas regiões passaram a pagar um prêmio menor, o que prejudicou os ganhos obtidos com as reservas brasileiras, que são aplicadas nesse tipo de papel. As turbulências ainda aumentaram o risco dessa poupança do BC em 0,44 ponto percentual. “O ambiente de baixas taxas de juros observado no mercado financeiro internacional implicou menor rentabilidade, quando comparada ao valor médio histórico”, admitiu o Banco Central em relatório. José Luis Oreiro, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), observa que, apesar dos custos de manutenção, as reservas têm gerado benefícios para a sociedade. “Tem quem diga que já chegamos a um bom nível, mas é sem dúvida importante ter um colchão desses para proteger a economia. O benefício final é positivo”, observou. Desde o fim do ano passado, o total cresceu 6,5%, alcançando US$ 375 bilhões. Esses recursos ajudam o país a enfrentar crises e garantir o bom funcionamento da economia, mesmo em um ambiente de escassez de linhas de crédito internacionais e de baixo fluxo de investimento estrangeiro. |