Medidas de estímulos à economia são necessárias, dizem analistas

Autor(es): agência o globo:Bruno Villas Bôas
O Globo – 10/01/2012
Ao  mesmo tempo em que houve avanços para a criação de um imposto sobre  transações financeiras e a inclusão de mecanismos de controle da  disciplina fiscal, os líderes de Alemanha e França ressaltaram, após a  reunião de ontem, a necessidade de novos estímulos ao crescimento  econômico e à criação de empregos para atacar a crise na zona do euro.  Enquanto alguns analistas veem a disciplina fiscal comum como passo  necessário, outros destacam que, sem esse “segundo pilar”, com foco no  crescimento, não será possível sair da crise.

Na avaliação do  professor Luiz Carlos Prado, do Instituto de Economia da UFRJ, a  aparente incoerência de a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente  francês, Nicolas Sarkozy, passarem a dar ênfase também a medidas de  estímulo, em paralelo aos pacotes de austeridade fiscal, pode ser  considerada normal.

- Os políticos europeus estão pressionados  pelas campanhas eleitorais. As oposições estão na frente das pesquisas  de opinião. A saída da crise só com medidas de austeridade, recessivas,  representa derrota nas urnas – diz Prado.

Já para o professor José  Luis Oreiro, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília  (UnB), as autoridades alemães e francesas sabem que “austeridade sem  crescimento não resolve a crise”.

Como as possíveis ações citadas  por Merkel e Sarkozy passam pela criação de empregos e aumento da  competitividade, Oreiro antevê medidas para flexibilizar o mercado de  trabalho nos países da periferia da Europa. Segundo o professor, parte  do modelo exportador alemão está baseado em acordos – feitos após a  reunificação, nos anos 1990 – entre empresariado e sindicatos para, ao  mesmo tempo, reduzir o custo relativo da mão de obra (com salários  subindo menos do que a produtividade) e controlar o desemprego.

- Ou seja, o plano seria levar o modelo alemão para outros países – aposta Oreiro.

União monetária com desunião fiscal é problema

O  desafio, porém, será equilibrar os dois “pilares” – austeridade fiscal e  estímulo ao crescimento. Segundo Prado, como esse equilíbrio não é  simples, o processo de saída da crise pode ser marcado por diferenças  entre discurso e prática.

Segundo Alberto Ramos, economista para a  América Latina do banco Goldman Sachs, a disciplina fiscal é  fundamental. Nos últimos dez anos, a indisciplina fiscal, aliada ao  baixo crescimento, levou a dinâmica das dívidas públicas da zona do euro  a um ponto preocupante.

- Dado que é uma união de economias com  graus muito diferentes de competitividade, é importante ter maior  coordenação e harmonia fiscal na zona do euro. Uma união monetária com  desunião fiscal cria as tensões que estamos vendo – explica Ramos.

Para  André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, os países da  zona do euro estavam atentos aos problemas fiscais nos últimos dez  anos, mas faltou coesão política para mexer no “vespeiro de corte de  gastos públicos”.

- Essa crise é fundamental para fortalecer a  zona do euro. A Alemanha ganhou um “presente” para terminar a unificação  – diz Perfeito.