Na contramão da tendência dos últimos anos, o dólar comercial voltou a subi quinta-feira, desta vez 1,25%, enquanto o dólar turismo registrou elevação de 3,3%. O fato não evitou que o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmasse que a desaceleração da inflação no Brasil não pode depender da depreciação do dólar: “Certamente, essa não é uma ferramenta do BC para a inflação convergir”, disse em audiência pública no Congresso Nacional.

Para o economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), a recuperação esboçada pelo dólar não surpreende. Para o professor da UnB, a mudança de postura do BC já influi, inclusive nas expectativas dos agentes:

“A afirmação de Tombini mostra que o BC não quer mais contar com o dólar para enfrentar a inflação. Há um consenso que a moeda norte-americana não pode cair mais”, disse, acrescentando que o canal tradicional de política monetária no Brasil, “que era aumentar a taxa básica de juros (Selic) e induzir a queda do dólar já está desgastado”.

Na opinião do economista, o BC tem procurado alternativas porque a eficiência da Selic dificilmente ultrapassa as fronteiras do câmbio. Ele não teme que a arbitragem dos especuladores mude de lado (de viés de queda para tendência de valorização do dólar): “Se causar algum tipo de especulação, será até positivo porque os investidores passam a acreditar que o dólar não pode cair mais do que já caiu”, resume.

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