21/07/2010 – 21:07
Enxugando gelo

Oreiro: participação da indústria na economia recuou 6,2 pontos em 30 anos (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)
PARA OREIRO, JUROS ALTOS NEUTRALIZAM EFEITOS DE POLÍTICA INDUSTRIAL
“Política industrial com juros altos e câmbio sobrevalorizado é enxugar gelo.” A opinião é do economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), sobre estudo divulgado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), no qual a entidade elege como principal causa da desindustrialização em curso no país a falta de uma política industrial desde os anos 80 a té 2007.
Oreiro e Iedi, no entanto, concordam que a indústria nacional mais ligada à inovação regrediu.
“Segundo dados da ONU, nessas quase três décadas a participação do setor industrial no valor adicionado total da economia brasileira recuou 6,2 pontos percentuais (passou de 29,9% para 23,7%). Outros países emergentes, nesse mesmo período, trilharam o caminho oposto. Coréia e China são os casos mais emblemáticos, onde a participação da indústria aumentou 17,3 e 17,1 pontos percentuais, passando a representar em 2007, respectivamente, 37,3% e 52,9% do total”, diz o Iedi, acrescentando que Tailândia, Indonésia, Malásia e Índia, em variadas dosagens, assistiram também ao aumento da expressão de seus setores industriais.
Sem desprezar a importância das políticas industriais, Oreiro lembra que os investimentos em infra-estrutura também são fundamentais, mas, no Brasil, estão praticamente paralisados porque as taxas de juros elevadíssimas retiram recursos do investimento público. “Hoje a taxa básica (Selic) tem mais impacto nas contas do governo e no câmbio, já que as grandes empresas têm financiamento do BNDES”, disse o economista, lamentando que os pequenos e médios empresários, além da Selic, ainda tenham que arcar com spread bancário na faixa de 30%. “Spread mais Selic resultam em taxas superiores a 40% ao ano. É muito caro”, resumiu.
Link: http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=82367
Para quem gosta de quantificar, segue o link da The Economist com o índice Big Mac:
http://www.economist.com/node/16646178
“(…) the real is overvalued by 31%”. E para quem ainda tem dúvidas: “Asia remains the cheapest place to enjoy a burger. China’s recent decision to increase the “flexibility” of the yuan has not made much difference yet. A Big Mac costs $1.95 in China at current exchange rates, against $3.73 in America. Our index suggests that a fair-value rate would be 3.54 yuan to the dollar, compared with the current rate of 6.78. In other words the yuan is undervalued by 48%.”
Para quem advoga a relevância do câmbio na articulação de uma política industrial: “A weaker currency improves the competitiveness of a country by making exports cheaper. It also encourages domestic consumers to switch from expensive imports to domestic goods.”