Caros leitores,
É com satisfação que comunico o aparecimento de um novo blog/portal na praça. É o blog Rumos do Brasil, o qual reune vários economistas e intelectuais brasileiros não-liberais com o objetivo de discutir um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil. O coordenador do blog é o economista José Carlos de Assis, assessor especial da Presidência do BNDES. Fui convidado para cooperar com a seção de Política Monetária, ao lado do meu colega Carlos Thadeu Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central do Brasil. Acredito que as matérias divulgadas no blog serão do interesse de todos os meus leitores. Visitem a minha coluna no endereço http://www.rumosdobrasil.org.br/colunistas/j-oreiro/.
Abraços a todos,
José Luis Oreiro
P.S : Esta semana estou em Foz do Iguaçu participando do XXXVII Encontro Nacional de Economia da Anpec, na qualidade de autor, debatedor e membro da comissão científica da área de Crescimento e Desenvolvimento Econômico
Caro Professor,
A propósito da ANPEC, estive na mesa em que foi discutido um paper escrito pelo professor e pelo Flávio Augusto Corrêa Basilio, Stability Analysis of Different Monetary Policy Rules for a Macroeconomic Model with Endogenous Money and Credit Channel. Fiquei com uma dúvida na cabeça, dei uma olhada rápida no texto e vi que a função de reação do Banco Central contida no texto era muito parecida com a maioria que eu já havia visto em outros trabalhos (sobretudo textos de autores pós-keynesianos) de modo que não entendi muito bem a crítica do professor Fernando de Holanda (sobretudo quando ele disse que a instabilidade do modelo era dependente daquela equação). É bem verdade que a regra de taylor do artigo de 1993 não é uma equação diferencial (o que de certo modo sempre me inquietou) mas enfim, utilizar uma equação de reação daquele tipo é algo muito forte num modelo? Outra coisa que vi em alguns trabalhos no encontro foram os modelos DSGE, o que o professor acha deles? Se o interesse for produzir dentro do paradgma pós-keynesiano vale mesmo assim o esforço de ter contato com esses trabalhos? Se sim, qual a obra acessivel?
Abçs
Carlos,
Você estava na anpec, porque não se apresentou? poderiamos ter conversado.
A equação que o FH criticou é uma formalização simples do regime de metas de inflação estrito, no qual o BC só se preocupa com os desvios da inflação com respeito a meta, deixando de lado o desvio do produto com respeito a meta. O FHB mencionou que essa especificação deixa o modelo instável – o que eu concordo. Meu ponto, que eu acho que o FHB não entendeu, é que o RMI tem que ser flexível – ou seja, a regra de taxa de juros deve incluir o hiato do produto – para que o sistema seja macroeconomicamente estável.
Quanto ao DSGE está claro que os supostos de mercados contigentes completos no sentido Arrow-Debreu é incompatível com a economia pós-keynesiana, no entanto, como bem lembrou o Fernando Cardim recentemente num evento no IE/UFRJ, as minorias (ou seja, os pós-keynesianos) não podem se dar ao luxo de ignorar o que faz a maioria. Assim sendo, todo o economista pós-keynesiano deve estudar os modelos DSGE para saber claramente o que está criticando.
Abs,
Oreiro