Caros leitores, acabei de receber a boa notícia do CNPq que minha bolsa de produtividade em pesquisa foi renovada por mais 4 anos, passando do nível 1D para o nível 1C.
Abraços e Feliz Ano Novo,
Oreiro
29 terça-feira dez 2009
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Caros leitores, acabei de receber a boa notícia do CNPq que minha bolsa de produtividade em pesquisa foi renovada por mais 4 anos, passando do nível 1D para o nível 1C.
Abraços e Feliz Ano Novo,
Oreiro
28 segunda-feira dez 2009
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Um leitor do meu blog me mandou o link de uma interessante matéria publicada no blog do Luiz Nassif sobre as “incríveis previsões” de Dr. Geninho, o Grande.
Vejam em http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/09/a-crise-segundo-mr-alexandre-magoo-schwartsman/
É um festival de erros crassos de previsão sobre a extensão dos efeitos da crise sobre o Brasil (lembram da pérola de aumentar os juros em outubro de 2008 para conter a “explosão inflacionária decorrente da desvalorização do câmbio), com o direito ao mal aconselhamento a investidores privados para investir naquele fundo “sólido” com nome russo, terminando com previsões de sobre-aquecimento da economia no terceiro trimestre de 2009 … O cara simplesmente não deu uma dentro !!!
O engraçado é que depois de tantos erros, esse mesmo elemento quer se constituir em Juiz do trabalho de outros economistas, dedicando uma parte não desprezível de seu tempo de trabalho, o qual deveria ser alocado para fornecer sólidas previsões econômicas para que o banco do qual ele é economista-chefe possa ganhar dinheiro para os acionistas, a crítica dos trabalhos de outros. Isso sem contar o festival de grosserias, palavras de baixo-calão, e coisas do gênero que se podem encontrar em seu blog, as quais são indignas de uma pessoa com nível superior.
É por essas e por outras que um número crescente de economistas, muitos deles do mercado financeiro, e sem nenhuma relação com a heterodoxia, simplesmente não levam esse sujeito a sério. Aliás a lista de inimigos dele no mercado financeiro é cada vez maior.
Para dizer que não falei de flores, sugiro aos meus leitores que constatem com os seus próprios olhos a falácia da tese de não-desindustrialização da economia brasileira (com a série antiga do IBGE) a partir das seguintes referências:
Almeida, J.G. (2006). Renovar idéias: política monetária e crescimento econômico no Brasil. Apresentação para o PSDB em 16/02/2006.
Bonelli, R. (2005). “Industrialização e desenvolvimento: notas e conjecturas com foco na experiência do Brasil”. Texto preparado para o seminário “Industrialização, Desindustrialização e Desenvolvimento”, São Paulo, 28/11/2005. Disponível em www.fiesp.com.br/download/semin…/6Bonelli_ind_desenv.pdf.
Essas referências mostram claramente que houve sim um processo de redução do valor adicionado da indústria no PIB brasileira nos últimos 30 anos, ao contrário do afirmado de maneira enfática (e mais uma vez equivocada) por Dr. Geninho, o Grande.
Dr. Geninho, talvez pressionado pelos seus pares do mercado financeiro que querem a sua cabeça, está tentando desesperadamente ocultar suas falhas atirando em outras pessoas. Pelo visto, este pobre professor universitário, que nunca foi diretor do BCB e nem economista chefe de uma grande instituição financeira, é agora o alvo de sua obsessão compulsiva em se destacar por intermédio da humilhação de outros (algumas sessões de psicanálise talvez resolvessem esse problema). Sua estratégia para comigo se baseia na manipulação de dados de séries diferentes das Contas Nacionais para desmontar uma relés nota escrita por mim, nas vésperas de Natal, e que, portanto, tem ainda o status de “working in progress”. Não se trata sequer de um artigo aprovado para uma revista científica, ou mesmo para um congresso … mas apenas um simples post de blog, escrito em apenas 2 horas, por alguem que não é especialista em indústria, a partir da leitura feita da bibliografia mínima exigida para se ter um conhecimento básico do tema em consideração. Apesar disso, o Dr. Geninho dedicou todo o seu final de semana a atacar essa nota como se ela fosse o representante mais elaborado da vasta e extensa literatura sobre desindustrialização no Brasil, ao invés de ser o que é, ou seja, reflexões preliminares de um macroeconomista que está começando a estudar o assunto. Se eu fosse psicanalista diria que por trás de todo esse esforço desmedido existe alguma questão psicanalítica não resolvida …
No entanto, sua arrogância não esconde o fato elementar que a literatura nacional – inclusive a escrita por autores convencionais como Regis Bonelli – argumenta para a ocorrência de desindustrialização no Brasil, pelo menos para a década de 1990. Esse ponto é praticamente consensual na literatura brasileira sobre o tema. O que se discute – ou seja, ainda é objeto de significativa controvérsia – é se (i) a tendência a desindustrialização se interrompeu a partir de 2000; (ii) o caráter positivo ou negativo da desindustrialização.
Mas é claro, Dr. Geninho, o Grande, é mais inteligente, informado e esperto que todos os demais economistas brasileiros especialistas em indústria. Se todos eles afirmam que ocorreu desindustrialização no Brasil, mas ele afirma o contrário, é porque todos os demais são burros, incompetentes ou mal-intencionados.
Talvez falte ao Dr. Geninho, o Grande, alguem de sua confiança que faça o trabalho ingrato, mas extremamente útil, que os escravos faziam aos Imperadores Romanos durante os seus desfiles triunfais em Roma. Alguem que diga ao pé do ouvido: “lembra-te César que és apenas um homem”.
27 domingo dez 2009
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É impressionante a capacidade de Dr. Geninho, “O Grande”, e seu fiel escudeiro, o anônimo “O”, de darem grandes contribuições a macroeconomia. Após terem inventado a macroeconomia da regressão linear simples, os mesmos inventaram a “macroeconomia do trigo”. Entende-se por “macroeconomia do trigo” aquele ramo do “conhecimento científico” que ignora as variações de preços relativos, supondo que todas as mudanças de valor decorrem unicamente de mudanças no “quantum” produzido de “mercadorias”. Dessa forma, se a participação do valor adicionado pela indústria brasileira cai como proporção do PIB é porque o “quantum” produzido pela indústria caiu relativamente ao “quantum” produzido pela economia como um todo. No entanto, a despeito das evidências apresentadas nas séries de VA do IPEADATA que mostram que mesmo após 1990, ou seja, mesmo levando-se em conta a mudança na metodologia de apuração do VA da indústria entre 1989-1990, a participação do VA na indústria como proporção do PIB vem sendo reduzida sistematicamente, os mesmos se “revoltam” contra os dados dizendo que tal situação não pode ter ocorrido pois a mesma implicaria numa contração da produção industrial (em quantum), o que não teria ocorrido já que os dados mostram expansão do quantum produzido durante o período analisado.
Um pouco de atenção aos dados de preços relativos pode ajudar a compreender, ao menos em parte, o “mistério” do desabamento da participação do VA da indústria no PIB entre 1994 e 1995. Com efeito, enquanto o IPA de bens industriais apresentarou variação de 2083,25% e 55,23% nos dois anos em consideração; o delator implícito do PIB apresentou variação de 2251,59% e 93,52% !!! Em outros termos os produtos industriais cairam, e muito, de preço em comparação com os demais bens produzidos na economia. Aliás essa tendência prossegue até 1999 quando se dá a desvalorização do câmbio.
Em outras palavras, a desindustrialização – entendida como um movimento de queda da participação do VA (ou seja, preço * quantidade) da indústria no PIB – não resulta unicamente da queda da produção da indústria (medida em quantum) relativamente ao resto da economia; mas também de uma “deterioração dos termos de troca” da indústria, so to speak. É interessante constatar que a “deterioração dos termos de troca da indústria” coincide (1994-1998 e 2006-2007) com os períodos de câmbio apreciado ….
Mas esperemos para ver qual a nova contribuição da “dupla dinâmica” para o “conhecimento científico” … Anyway, da próxima vez que estiver com meus amigos do País Basco vou perguntar porque razão os economistas-chefes dos bancos deles tem tanto tempo livre para criticar o que os outros economistas fazem ao invés de procurar ganhar dinheiro para os acionistas .
26 sábado dez 2009
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Dr Geninho é mesmo uma figura interessante na blogsfera. Gosta de criticar a tudo e a todos, mas esquece das inúmeras vezes que ele cometeu erros crassos. Como não lembrar da pérola de outubro de 2008 quando ele defendia um aumento da taxa básica de juros no meio da crise financeira internacional. Ou mais recentemente quando Dr. Geninho afirmava que a economia brasileira estava super-aquecida em função da “explosão” de gastos de consumo do governo, devendo apresentar um crescimento de 2% no 3T com respeito a trimestre anterior …
No entanto após ver suas inúmeras previsões sendo desmentidas sistematicamente pelos dados, Dr. Geninho resolveu introduzir uma inovação: ao invés de criticar por suas próprias palavras os trabalhos de outros, decidiu aderir, tardiamente diga-se de passagem, a “onda neo-liberal”, e “terceirizou” a crítica aos economistas heterodoxos. Seu novo escudeiro é um tal de “O” que por alguma razão desconhecida possui um ódio mortal pelos economistas heterodoxos, dedicando-se exaustivamente a hercúlea tarefa de combater o “mal”, ou seja, a heterodoxia; tudo isso no mais misterioso anonimato.
Com a ajuda de “O”, Dr. Geninho inaugurou um novo ramo na macroeconomia, a qual podemos chamar de “macroeconomia da regressão linear simples”. O axioma fundamental desse novo ramo do “conhecimento científico” é que problemas complexos – como por exemplo, a relação entre câmbio real e poupança ou os determinantes do investimento agregado – possuem causa única. Em outras palavras, toda a macroeconomia deve ser re-escrita em termos de equações simples de primeiro grau do tipo Y = a + bX. Digamos que Y seja o investimento como proporção do PIB e X uma variável explicativa, por exemplo, a taxa real de câmbio. Dessa forma, o teste “empírico” dessa equação seria rodar uma regressão simples (se bem que na maioria dos casos o Dr. Geninho e seu escudeiro só fazem análise de elevador mesmo) para saber se o coeficiente b é estatisticamente singificativo. No entanto, como o Dr. Geninho vive muito ocupado na administração dos interesses dos rentistas, via de regra sua análise não é tão sofisticada. Depois de ter lido (e não entendido) o conceito schumpeteriano de rotina de tomada de decisão como procedimento para poupar capacidade cognitiva, Dr. Geninho propõe um teste mais simples, a saber: Se Y subir quando X cai então isso prova que os heterodoxos estão errados ao afirmar que o câmbio apreciado afeta negativamente o investimento. Eis a beleza da macroeconomia da regressão simples: para que levar em conta todos os demais determinantes do investimento, tipo o custo real do capital, o grau de utilização da capacidade produtiva corrente e esperado para o futuro, a expectativa de crescimento da economia no futuro e etc ? Tudo isso é bobagem, a “verdade é simples” (isso ele leu em algum livro de Teologia que folheou apressadamente no saguão de embarque de algum aeroporto) , logo se a explicação simples não coincidir com os dados é porque a heterodoxia está errada. Esqueçam regressão multipla, fiquemos apenas no primeiro capítulo do livro do Gujarati !!!
24 quinta-feira dez 2009
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| Actualizado 2009-12-15 09:26:10 | Spanish. News. Cn |
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BRASILIA, 14 dic (Xinhua) — Los electores brasileños irán a las urnas en octubre de 2010 para elegir al sucesor del presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quien no podrá postularse por haber cumplido su segundo mandato consecutivo.
La primera elección presidencial en dos décadas en que el ex sindicalista no estará entre los candidatos debe decidir el rumbo del país sudamericano en los próximos años, pero cualquiera sea el resultado el próximo gobierno, consensúan los analistas, no presentará grandes diferencias con la actual política económica.
El propio Lula da Silva escogió como la oficialista precandidata a la ministra jefe de gabinete Dilma Rousseff, quien deberá postularse por el Partido de los Trabajadores (PT), mientras que el principal precandidato de la oposición es el gobernador de Sao Paulo, José Serra, del Partido Social Demócrata Brasileño (PSDB).
Ambos reconocidos luchadores contra la dictadura militar (1964-1985), representan posiciones semejantes en múltiples aspectos, comenzando por el hecho de que habrá continuidad en fundamentos de la política económica, aunque con algunos matices diferenciales.
Después de haber atravesado sin mayores daños la crisis financiera internacional, el problema económico más importante que se presenta en Brasil es la continua valorización del real frente al dólar, restando competitividad a los productos brasileños en el exterior y provocando un deterioro en las cuentas externas que puede ser peligroso en el futuro.
En diálogo con Xinhua, el economista Jose Luis Oreiro, de la Universidad de Brasilia (UnB), consideró que el debate económico va a ser pautado por las ideas desarrollistas.
Según él, la diferencia entre Serra y Rousseff es de énfasis: el gobernador paulista tendría una política económica un poco más austera, y más heterodoxa con relación a la tasa de cambio e intereses.
“Las variables de Serra serían ajuste fiscal fuerte y política monetaria relajada, o sea, interés bajo y cambio alto. Dilma va a cambiar un poco respecto de Lula, algún ajuste fiscal va a hacer, pero menos que Serra, y por lo tanto va a tener un margen menor para intervenir en cambio y tasa de interés. Pero, en fin, la preocupación con el cambio está en los dos”, consideró el profesor.
De forma similiar analiza el cuadro electoral el sociólogo Werneck Vianna, del Instituto Universitario de Pesquisas de Río de Janeiro (Iuperj), para quien el debate sobre la movilización del Estado como inductor del proceso de desarrollo deberá ser central.
Inclusive, el tercer nombre en los sondeos, el ex ministro Ciro Gomes, del Partido Socialista Brasileño (PSB) y aliado de Lula da Silva, no presenta grandes diferencias con los otros dos precandidatos.
“Es difícil diferenciar a Ciro de las candidaturas de Dilma y de Serra. Los tres tienen un perfil muy semejante, y Serra y Dilma aún más semejante. Son ejecutivos, personas entrenadas en la administración, con vocación para ese tipo de mando. El territorio de ellos no es propiamente el de la política y las elecciones”, afirmó.
Vianna recordó que Rousseff y Serra construyeron sus candidaturas como buenos administradores, al contrario del presidente Da Silva, cuyo fuerte es la política y su liderazgo popular.
Otra diferencia importante entre los dos principales precandidatos se vincula a la política externa, las alianzas y prioridades que guiarán las relaciones internacionales del Estado brasileño a nivel político.
La oposición mantuvo una postura muy crítica a las posiciones del gobierno, lo que quedó demostrado, por ejemplo, durante la reciente visita del presidente iraní Ahmed Ahmadinejad a Brasil.
Colocándose como portavoz del arco opositor, Serra publicó un artículo en que la calificó de “incómoda” e “indeseable”, apartándose de la búsqueda de nuevos socios del eje “Sur-Sur” iniciada en el gobierno de Lula da Silva.
Una eventual victoria del candidato opositor modificaría las actitudes brasileñas para con sus vecinos latinoamericanos, tomando distancia de Venezuela, ejerciendo una mayor presión sobre Argentina en las divergencias comerciales, y ensayando una mayor aproximación de Estados Unidos, tal como ocurrió en el anterior gobierno socialdemócrata de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
La contienda electoral aún se presenta indefinida, con posibilidades de victoria de ambas partes, pero se descuenta que los candidatos evitarán colocarse a contramano del alto apoyo popular del presidente Lula da Silva, quien mantiene un 80 por ciento de popularidad pasados siete años de gobierno.
Aunque a comienzos de este año Serra gozaba de una amplia ventaja -46,5 por ciento de las preferencias contra 10,4 por ciento de Rousseff-, la ministra consiguió reducirla para 10 puntos -31,8 contra 21,7 por ciento- en el último sondeo.
La tendencia es que los principales precandidatos, cuyas postulaciones serán oficializadas hacia marzo de 2010, inicien la campaña electoral con posibilidades semejantes de victoria, en un contexto de fuerte crecimiento económico.
Según los especialistas, las encuestas muestran que la fuerza de Da Silva en las elecciones será muy grande, y la ministra Rousseff o cualquier otro candidato apoyado por él recibirá un importante caudal de votos por influencia directa del prestigio del presidente.
24 quinta-feira dez 2009
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Caros leitores,
Recomendo a leitura da monografia “Uma análise do processo de desindustrialização e crescimento econômico no Brasil a partir de 1980″ do economista Diogo Kugler Rodrigues da Costa, do departamento de economia da Universidade Federal do Paraná. A mesma vai na mesma linha do meu post anterior sobre desindustrialização. A mesma pode ser obtida no link http://www.scribd.com/doc/24474824/Monografia-2008.
Abraços a todos
Oreiro
23 quarta-feira dez 2009
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Aproveito a oportunidade para desejar a todos os meus leitores um Feliz Natal e um ano Novo de 2010 repleto das verdadeiras alegrias.
José Luis Oreiro
22 terça-feira dez 2009
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Nos ultimos meses tem-se observado uma preocupação crescente entre os economistas e o público em geral a respeito de um possível processo de desindustrialização da economia brasileira. Nesse contexto, podemos observar duas posições claramente definidas. De um lado, temos os assim chamados “economistas (Keynesiano)-Desenvolvimentistas” que defendem a tese de que a economia brasileira vem passando por um processo de desindustrialização nos últimos 20 anos, causado pela combinação perversa entre abertura financeira, valorização dos termos de troca e câmbio apreciado. Do outro lado, temos os assim chamados “economistas ortodoxos” que afirmam que as transformações pelas quais a economia brasileira passou nas ultimas décadas não tiveram um efeito negativo sobre a indústria e que a apreciação do câmbio real resultante dessas reformas favoreceu a indústria ao permitir a importação de máquinas e equipamentos tecnologicamente mais avançados, o que permitiu a modernização do parque industrial brasileiro e, consequentemente, a expansão da própria produção industrial.
Isso posto, esta breve nota tem por objetivo aprofundar o debate sobre a questão da desindustrialização (ou não ) da economia brasileira. Inicialmente, iremos definir de forma precisa o termo “desindustrialização” para isolar o debate em consideração de temas conexos como, por exemplo, “re-primarização da pauta de exportações” e ”doença holandesa”. Na sequencia iremos nos debruçar sobre as possíveis causas do processo de desindustrialização e as suas possíveis consequencias sobre o crescimento de longo-prazo de uma economia capitalista. Iremos finalizar essa nota com algumas evidências empíricas a respeito da ocorrência da desindustrialização na economia brasileira.
1 – Sobre o conceito de desindustrialização.
O conceito “clássico” de “desindustrialização” foi definido por Rowthorn e Ramaswany (1999) como sendo uma redução persistente da participação do emprego industrial no emprego total de um país ou região. Mais recentemente, Tregenna (2009) redefiniu de forma mais ampla o conceito “clássico” de desindustrializaçã0 como sendo uma situação na qual tanto o emprego industrial como o valor adicionado da indústria se reduzem como proporção do emprego total e do PIB, respectivamente.
A primeira observação importante a respeito do conceito ampliado de “desindustrialização” é que o mesmo é compatível com um crescimento (expressivo) da produção da indústria em termos físicos. Em outras palavras, uma economia não se desindustrializa quando a produção industrial está estagnada ou em queda, mas quando o setor industrial perde importância como fonte geradora de empregos e/ou de valor adicionado para uma determinada economia. Dessa forma, a simples expansão da produção industrial (em termos de quantum) não pode ser utilizada como “prova” da inexistência de desindustrialização ao contrário do que afirmam alguns (sic) macroeconomistas apressadinhos …
A segunda observação é que a desindustrialização não está necessariamente associada a uma “reprimarização da pauta de exportação”. Com efeito, a participação da indústria no emprego e no valor adicionado pode se reduzir em função da transferência para o exterior das atividades manufatureiras mais intensivas em trabalho e/ou com menor valor adicionado. Se assim for, a desindustrialização pode vir acompanhada por um aumento da participação de produtos com maior conteúdo tecnológico e maior valor adicionado na pauta de exportações. No entanto, se a desindustrialização vier acompanhada de uma “reprimarização” da pauta de exportações, então isso pode ser sintoma da ocorrência de “doença holandesa”, ou seja, da desindustrialização causada pela apreciação da taxa real de câmbio resultante da descoberta de recursos naturais escassos num determinado país ou região.
2 – Sobre as causas da desindustrialização.
Segundo Rowthorn e Ramaswany (1999) a desindustrialização pode ser causada por fatores internos e externos a uma determinada economia. Os fatores internos seriam basicamente dois , a saber: uma mudança na relação entre a elasticidade renda da demanda por produtos manufaturados e serviços e o crescimento mais rápido da produtividade na indústria do que no setor de serviços.
Nesse contexto, o processo de desenvolvimento econômico levaria “naturalmente” todas as economias a se desindustrializar a partir de um certo nível de renda per-capita. Isso porque a elasticidade renda da demanda de serviços tende a crescer com o desenvolvimento econômico, tornando-se maior do que a elasticidade renda da demanda por manufaturados. Dessa forma, a continuidade do desenvolvimento econômico levará a um aumento da participação dos serviços no PIB e, a partir de um certo ponto, a uma queda da participação da indústria no PIB. Além disso, como a produtividade do trabalho cresce mais rapidamente na indústria do que nos serviços, a participação do emprego industrial deverá iniciar seu processo de declinio antes da queda da participação da indústria no valor adicionado.
Os fatores externos que induzem a desindustrialização estão relacionados ao grau de integração comercial e produtiva das economias, ou seja, com o estágio alcançado pelo assim clamado processo de “globalização”. Nesse contexto, os diferentes países podem se especializar na produção de manufaturados (o caso da China e da Alemanha) ou na produção de serviços (Estados Unidos e Reino Unido). Além disso, alguns países podem se especializar na produção de manufaturados intensivos em trabalho qualificado, ao passo que outros podem se especializar na produção de manufaturados intensivos em trabalho não-qualificado. Esse padrão de desenvolvimento gera um redução do emprego industrial (em termos relativos) no primeiro grupo e um aumento do emprego industrial no segundo grupo.
Por fim, a relação entre a participação do emprego (e do valor adicionado) da indústria e a renda per-capita pode ser afetada pela doença holandesa (Palma, 2005). Nesse contexto, a abundância de recursos naturais pode induzir a uma redução da participação da indústria no emprego e no valor adicionado por intermédio da apreciação cambial, a qual resulta em oerda de competitividade da indústria e déficit comercial crescente da mesma. Em outras palavras, a desindustrialização causada pela “doença holandesa” está associada a déficits comerciais crescentes da indústria e superávits comerciais no setor não-industrial.
3 – Consequencias da desindustrialização.
No contexto dos modelos neoclássicos de crescimento – os quais fundamentam a visão de mundo dos economistas ortodoxos brasileiros – a ocorrência ou não do fenômeno da desindustrialização é irrelevante, haja vista o crescimento de longo-prazo é consequencia apenas da “acumulação de fatores” e do “progresso tecnológico”, sendo independente da composição setorial da produção. Para esses economistas, uma unidade de valor adicionado tem o mesmo significado para o crescimento de longo-prazo seja ela gerada na indústria, na agricultura e no setor de serviços.
As diversas correntes do pensamento heterodoxo, contudo, consideram que o processo de crescimento econômico é setor-específico. Mais precisamente, os economistas heterodoxos acreditam que a “indústria” é o motor do crescimento de longo-prazo das economias capitalistas (Thirwall, 2002), uma vez que:
(i) Os efeitos de encadeamento para frente e para trás na cadeia produtiva são mais fortes na indústria do que nos demais setores da economia.
(ii) A indústria é caracteriza pela presença de economias estáticas e dinâmicas de escala, de tal forma que a produtividade na indústria é uma função crescente da produção industrial.
(iii) A maior parte da mudança tecnológica ocorre na indústria. Além disso, boa parte do progresso tecnológico que ocorre no resto da economia é difundido a partir do setor manufatureiro.
(iv) A elasticidade renda das importações de manufaturas é maior do que a elasticidade renda das importações de commodities e produtos primários. Dessa forma, a “industrialização” é tida como necessária para aliviar a restrição de balanço de pagamentos ao crescimento de longo-prazo.
Em suma, a indústria é vista como “especial” pelo pensamento heterodoxo pois ela é a fonte de retornos crescentes de escala (indispensável para a sustentação do crescimento no longo-prazo), é a fonte e/ou a principal difusora do progresso tecnológico e permite o relaxamanto da restrição externa ao crescimento de longo-prazo.
Nesse contexto, a desindustrialização é um fenômeno que tem impacto negativo sobre o potencial de crescimento de longo-prazo pois reduz a geração de retornos crescentes, diminui o ritmo de progresso técnico e aumenta a restrição externa ao crescimento.
4 – O caso brasileiro.
Um dos primeiros estudos a apontar para a desindustrialização da economia brasileira foi Marquetti (2002). Segundo dados apresentados por esse autor para a indústria de transformação, a economia brasileira teria passado por um processo de desindustrialização nos anos 1990 tanto em termos da participação do emprego como da participação na valor adicionado.
Argumentos contrários a tese de desindustrialização foram apresentados por Nassif (2006). Segundo esse autor “Não se pode falar que o Brasil tenha passado por um processo de desindustrialização porque não se assistiu a um processo generalizado de mudança na realocação de recursos produtivos e no padrão de especialização dos setores com tecnologias intensivas em escala, diferenciada e science-based para as indústrias baseadas em recursos naturais e em trabalho” (p.26). Em que pesem as fortes evidências apresentadas pelo autor a favor de sua tese, não podemos deixar de registrar que o mesmo define o conceito de desindustrialização de forma divergente da literatura internacional (e clássica) sobre o tema. Para Nassif, a desindustrialização não seria um processo de perda de importância da indústria (no emprego e no valor adicionado), mas de mudança na estrutura interna da própria indústria em direção a setores intensivos em recursos naturais e trabalho. Definido dessa forma, o conceito de “desindustrialização” se confunde com o conceito de “doença holandesa”. Contudo, como deixamos claro na seção 1, a desindustrialização pode ocorrer mesmo na ausência de doença holandesa.
Com base no conceito clássico de desindustrialização é simplesmente impossível negar que a economia brasileira esteja passando por um processo de desindustrialização. Com efeito, os dados do IPEADATA mostram que entre 1981 e 2008 a participação da indústria no valor adicionado caiu de 44,31% para 27,34%, uma queda de cerca de 17 pontos percentuais em 27 anos. Trata-se de uma redução expressiva da importância da indústria para a geração de valor adicionado na economia brasileira.
Daqui se segue que o ponto a ser dabatido não é se a economia brasileira está ou não se desindustrializando, pois como vimos acima o resultado ineludível é que ela está. O ponto a ser debatido é se esse fenômeno é um resultado natural do estágio de desenvolvimento da economia brasileira ou se é a consequência das políticas macroeconômicas adotadas nos ultimos 20 anos.
Como um primeiro passo na direção de resolver esse enigma, podemos analisar o comportamento de duas outras séries para o mesmo período, a saber: a FBKF/PIB e a taxa real efetiva de câmbio. Segundo Rowthorn e Ramaswany (1999), o investimento é altamente intensivo em produtos manufaturados de forma que uma redução da taxa de acumulação de capital deve estar associado a uma redução da participação da indústria no valor adicionado.
No período em consideração a taxa de investimento passou de 24,45% em 1981 para 19,91 % em 2008. Ou seja, uma queda de quase 5 pontos percentuais do PIB. Calculando o índice de correlação entre as duas séries observamos que o mesmo é de 0,747 no período considerado, de maneira que a taxa de investimento e a participação da indústria são altamente correlacionados. Fazendo as devidas ressalvas para o fato de que correlação não implica causalidade, uma interpretação possível para a queda da participação da indústria no valor adicionado é a redução da taxa de investimento observada no Brasil nas últimas duas décadas.
Voltando agora a atenção para a taxa real efertiva de câmbio, observamos que no período considerado a TREC passou de um índice de 164,43 em 1981 para um índice de 105,63 em 2008, ou seja, uma apreciação real de cerca de 35% no período. Calculando o coeficiente de correlação entre a série de câmbio real efetiva (IPA-OG Exportações, série IPEADATA) e a participação da indústria no valor adicionado observamos que o mesmo é positivo e igual a 0,5613; ou seja, uma apreciação da taxa real de câmbio está associada a uma redução da participação da indústria no valor adicionado. Em outras palavras, os dados mostram que a apreciação do câmbio real está associado com a desindustrialização.
Por fim, se calcularmos o coeficiente de correlação entre a TREC e a FBKF/PIB notaremos que a mesma é positiva e igual a 0,2312, ou seja, a apreciação do câmbio real está associada a uma redução – e não a um aumento – da taxa de investimento da economia brasileira. Dessa forma, não é verdade que a apreciação da taxa real de câmbio atue de forma favorável a indústria ao baratear a compra de máquinas e equipamentos do exterior. Pelo contrário, o câmbio apreciado desestimula o investimento.
Esses dados nos permitem, ainda que de forma preliminar, apontar para a apreciação da taxa real de câmbio como a causa fundamental do processo de desindustrialização da economia brasileira nos últimos 27 anos. O câmbio apreciado afeta a participação da indústria no PIB diretamente, ao afetar a competitividade da indústria, e indiretamente, ao desestimular o investimento. Além disso, como a causa aparente da “desindustrialização” é o câmbio apreciado também podemos inferir que a economia brasileira padece de “doença holandesa”. Essa impressão é reforçada pelos dados divulgados pelo IEDI (Valor Econômico, 22/12/2009) sobre o saldo comercial da indústria. Segundo os dados do IEDI, no período 2004-2009 o saldo comercial da indústria (acumulado de janeiro a setembro) passou de 17,09 bilhões de dólares em 2004 para -4,83 bilhões de dólares em 2009. Ao desagregar esse saldo por intensidade tecnológica verificamos que os setores de média-alta e alta intensidade tecnológica não só são deficitários, como ainda presenciaram um crescimento expressivo do déficit comercial no período em consideração. Com efeito, o déficit do setor de média-alta intensidade passou de 2,07 bilhões de dólares em 2004 para 19,19 bilhões de dólares em 2009, ao passo que o déficit do setor de alta intensidade passou de 5,58 bilhões de dólares em 2004 para 12,65 bilhões de dólares em 2009.
Em resumo, os dados apontam para a ocorrência de um processo de desindustrialização da economia brasileira acompanhado por apreciação do câmbio real, redução da acumulação de capital e déficit comercial crescente da indústria, concentrado nos setores de maior intensidade tecnológica. Isso é um sinal de que o nosso processo de desindustrialização é fruto da “doença holandesa”.
Referências:
Marquetti, A. (2002). ”Progresso Técnico, Distribuição e Crescimento na Economia Brasileira: 1955-1998″. Estudos Econômicos, Vol. 32, N.1 .
Nassif, A. (2006). “Há Evidências de Desindustrialização no Brasil?”. Texto para discussão 108 BNDES, Rio de Janeiro.
Palma, G. (2005). “Quatro fontes de desindustrialização e um novo conceito de doença holandesa”. Conferência de Industrialização, Desindustrialização e Desenvolvimento, São Paulo, Agosto.
Rowthorn, R; Ramaswany, R (1999). “Growth, Trade and Deindustrialization”. IMF Staff Papers, Vol. 46, N.1.
Thirwall, A. (2002). The Nature of Economic Growth. Edward Elgar: Aldershot.
Tregenna, F. (2009). “Characterizing deindustrialization: an analysis of changes in manufacturing employment and output internationally”. Cambridge Journal of Economics, Vol. 33.
Valor Econômico. “Indústria pode ter déficit comercial recorde no próximo ano, diz IEDI”, 22/12/2009.
Pós-escrito: uma versão modificada e ampliada deste post foi publicada na Revista de Economia Política, Vol, 30, N. 2. Abril de 2010 (Ver http://www.rep.org.br/pesquisar3.asp?id=1212)
18 sexta-feira dez 2009
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A retomada do crescimento da economia não se baseia na expansão do consumo
Algumas reflexões sobre os dados do PIB trimestral
José Luis Oreiro 18/12/2009 Texto: A- A+
Exportações em queda são um indício forte de que a apreciação da taxa real de câmbio está cobrando o seu preço
Os dados divulgados pelo IBGE na semana passada a respeito da evolução do PIB trimestral foram desalentadores. Ao invés da expansão esperada de 2% com respeito ao trimestre anterior, observou-se uma expansão de apenas 1,3%. Dessa forma, as previsões a respeito do comportamento do PIB para o ano de 2009 da maioria das consultorias e bancos foram revistas para um intervalo entre -0,5 e -1% (Valor, 11/12/2009). A se confirmar esse cenário, o PIB brasileiro irá apresentar a primeira contração desde 1992, quando ocorreu uma variação negativa de 0,5%. Esses números mostram de forma inquestionável que os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira, embora não tenham sido um “tsunami”, estão longe de ser a “marolinha” preconizada pelo presidente da República. Quando analisamos mais de perto a composição do crescimento do PIB trimestral, constatamos alguns fatos interessantes, a saber: 1) O investimento cresceu a uma taxa mais de três vezes superior à taxa de crescimento do consumo das famílias (6,5% do investimento contra 2% do consumo das famílias), sinalizando uma retomada dos planos de investimento dos empresários. 2) Os gastos de consumo do governo, após uma forte aceleração no primeiro trimestre de 2009, quando cresceram a uma taxa de 4,2% contra o trimestre anterior, apresentaram uma forte desaceleração nos trimestres seguintes, tendo tido uma variação de -0,1% no segundo trimestre e 0,5% no terceiro trimestre. 3) As exportações apresentaram uma expressiva desaceleração entre o segundo e o terceiro trimestre de 2009, passando de uma expansão de 7,1% no segundo trimestre para apenas 0,5% no terceiro trimestre. A aceleração dos gastos de investimento é, sem sombra de dúvida, uma boa notícia. Ao contrário do alardeado pelos expoentes da nossa “pseudo-ortodoxia”, a retomada do crescimento da economia brasileira – após o tombo observado no último trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009 – não está baseada na expansão dos gastos de consumo (privado e do governo), mas já está se apoiando na retomada dos projetos de investimento, suspensos durante a crise econômica. Isso significa que a capacidade de produção da economia brasileira está retomando a sua trajetória de crescimento, o que sinaliza um adiamento do ajuste da política monetária. Com efeito, nas últimas semanas vários expoentes da nossa “pseudo-ortodoxia” se revezaram nos meios de comunicação a alardear a necessidade de um aumento da taxa de juros básica já no primeiro trimestre de 2010. Para os “pseudo-ortodoxos”, a economia brasileira já estaria apresentando uma taxa robusta de crescimento, superior ao permitido pela expansão do produto potencial, o que levaria a uma rápida redução do “hiato do produto”, o que forçaria a autoridade monetária a elevar a taxa de juros preventivamente, já no início de 2010, para garantir o cumprimento das metas de inflação. Os dados divulgados pelo IBGE mostram não só que a economia brasileira não está crescendo tanto quanto os “pseudo-ortodoxos” imaginavam; como ainda, e mais importante, a aceleração dos gastos de investimento sinaliza um aumento da taxa de crescimento do produto potencial. Sendo assim, o hiato do produto deverá apresentar uma redução muito menos expressiva do que o imaginado pelos nossos “pseudo-ortodoxos”, o que irá adiar a “inevitável” elevação da taxa de juros para o segundo semestre de 2010 … isso se a disputa Serra-Dilma permitir. O segundo ponto a ser ressaltado é que, ao contrário do afirmado pelos “pseudo-ortodoxos”, não está em curso uma “farra fiscal”. O primeiro trimestre de 2009 concentrou um crescimento grande dos gastos de consumo do governo pelo fato de que a maioria dos reajustes do funcionalismo público foi concedida entre janeiro e março do corrente ano. No entanto, os trimestres seguintes mostraram variações de -0,1% e 0,5% para esse gastos. Isso significa que os gastos de consumo do governo deverão fechar o ano de 2009 com uma expansão de 5% com respeito ao ano de 2008. Como o PIB deverá apresentar uma contração de -0,5%, a participação do consumo do governo no PIB deverá aumentar este ano. No entanto, uma expansão constante de 5% para os gastos de consumo do governo é compatível com a estabilidade de longo prazo da relação consumo do governo/PIB supondo um crescimento do produto potencial da ordem de 5% ao ano. Não há dúvida de que a gestão da política macroeconômica e o crescimento de longo prazo seriam beneficiados com uma redução (moderada) da relação consumo do governo/PIB; mas os números apresentados até o momento não sinalizam um descalabro fiscal. O último ponto a ser ressaltado refere-se ao comportamento das exportações. Dos componentes da demanda por bens domésticos, as exportações foram o que apresentaram a maior desaceleração. Esse fato é um indício forte de que a apreciação da taxa real de câmbio está cobrando o seu preço no que se refere à velocidade de recuperação da economia brasileira. Com efeito, se no segundo trimestre de 2009 as exportações cresceram a uma taxa quase 80 % superior as importações; no terceiro trimestre deste ano as exportações cresceram a um ritmo inferior a 30% da taxa de crescimento das importações. Se as exportações tivessem apresentado um comportamento similar ao observado no segundo trimestre de 2009, o PIB trimestral teria tido um comportamento mais próximo das previsões feitas pelo Ministério da Fazenda. O comportamento das exportações é um sinal claro de alerta a respeito da sustentabilidade do ciclo atual de retomada de crescimento da economia brasileira. De fato, o atual ciclo de crescimento só será sustentável se for acompanhado por uma retomada consistente e duradoura dos gastos de investimento. A boa notícia é que o atual ciclo de crescimento da economia brasileira tem início num contexto em que o custo do capital se encontra no seu nível mais baixo em décadas, e a capacidade ociosa ainda existente na economia brasileira sinaliza a manutenção desse cenário por um longo período. No entanto, uma parte considerável do investimento é feito pela indústria e com vistas a exportação. Nas condições atuais de câmbio sobrevalorizado, as exportações brasileiras perdem competitividade e, por conseguinte, o investimento com vistas à exportação deixa de ser rentável. Dessa forma, será de pouca serventia um baixo custo do capital se a rentabilidade dos novos projetos de investimento for afetada negativamente pelo câmbio apreciado. É chegado o momento do governo discutir seriamente uma nova política cambial para o país.
José Luis Oreiro é professor do departamento de Economia da Universidade de Brasília e Diretor da Associação Keynesiana Brasileira.
08 terça-feira dez 2009
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Caros leitores,
É com satisfação que comunico o aparecimento de um novo blog/portal na praça. É o blog Rumos do Brasil, o qual reune vários economistas e intelectuais brasileiros não-liberais com o objetivo de discutir um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil. O coordenador do blog é o economista José Carlos de Assis, assessor especial da Presidência do BNDES. Fui convidado para cooperar com a seção de Política Monetária, ao lado do meu colega Carlos Thadeu Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central do Brasil. Acredito que as matérias divulgadas no blog serão do interesse de todos os meus leitores. Visitem a minha coluna no endereço http://www.rumosdobrasil.org.br/colunistas/j-oreiro/.
Abraços a todos,
José Luis Oreiro
P.S : Esta semana estou em Foz do Iguaçu participando do XXXVII Encontro Nacional de Economia da Anpec, na qualidade de autor, debatedor e membro da comissão científica da área de Crescimento e Desenvolvimento Econômico
Uma visão do mundo e do indivíduo, com olhar brasileiro
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